O CRISTÃO E A POLÍTICA
Quero chegar ao ponto de que, ao mergulharmos de cabeça nessa guerra ideológica, estamos trocando o eterno pelo passageiro. Quando o púlpito vira palanque e o pastor gasta mais tempo analisando o cenário de Brasília do que expondo as Escrituras, a igreja perde a sua identidade. O Evangelho não precisa de uma ala partidária para se sustentar. Jesus nunca se aliou aos herodianos e nem aos zelotes de sua época; pelo contrário, quando confrontado sobre política, Ele foi categórico: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Lucas 20:25). A nossa missão principal é pregar a Cristo, e não defender uma bandeira que vai expirar na próxima eleição.
Essa obsessão política tem adoecido a juventude e afastado aqueles que mais precisam de salvação. Como vamos pregar o amor de Deus para alguém se o tratamos como um "inimigo político" só porque ele pensa diferente sobre economia ou governança? A polarização cria barreiras onde a graça deveria construir pontes. O apóstolo Paulo nos deu uma instrução valiosa em 2 Timóteo 2:23-24: "E rejeita as questões loucas e sem instrução, sabendo que produzem contendas. E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor". Se o nosso engajamento na internet gera mais ódio do que frutos do Espírito, tem algo muito errado com a nossa fé.
Além disso, esse medo constante de perseguição e o desespero com o futuro revelam uma profunda falta de confiança na soberania de Deus. A Bíblia nunca nos prometeu uma vida terrena sem aflições ou um governo humano perfeito. Reis se levantam e impérios caem, mas a Igreja de Cristo permanece inabalável. Olhar para o cenário político com pânico é esquecer o que está escrito em Salmos 20:7: "Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus". O nosso socorro e a nossa segurança não vêm de um presidente ou de um partido, vêm do Alto.
Isso significa que o cristão deve ser alienado? Claro que não. Devemos ser cidadãos conscientes, votar de acordo com nossos valores e orar pelas autoridades, conforme a Bíblia orienta. Mas existe uma diferença gigante entre exercer a cidadania e colocar a nossa esperança nela. A política humana lida com a periferia dos problemas sociais; o Evangelho cura o coração, que é a raiz de todos os males. Nenhum projeto de lei pode salvar uma alma ou transformar o caráter de uma nação como o poder do Espírito Santo é capaz de fazer.
Portanto, jovens, é hora de recalibrar o nosso foco e desinflar esse surto coletivo. Que as nossas redes sociais e as nossas conversas nos bancos da igreja sejam preenchidas pelas boas novas de salvação, e não por teorias da conspiração ou debates acalorados que não mudam a eternidade de ninguém. Lembremo-nos de onde está a nossa verdadeira pátria, como bem resumiu Filipenses 3:20: "Mas a nossa pátria está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo". Foquemos no Reino que não pode ser abalado, porque os governos passam, mas a Palavra de Deus permanece para sempre.
Neymarques Feitosa.

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